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Design thinking virou “cringe”?

Ano após ano, nos deparamos com uma série de “modinhas” do mundo corporativo que prometem resolver problemas complexos de gestão, produto, equipe e muito mais. Já vivemos a era das metodologias ágeis, do growth hacking, do lean startup, do design sprint, da holocracia… e não podemos deixar de falar da era do design thinking.

Temos obtido excelentes resultados aplicando metodologias inspiradas no design thinking lá na Nexa. Por isso, recentemente comecei a me perguntar: será que essa “era” está acabando ou ainda tem grande relevância?

Vem comigo aprofundar a ascensão (e a queda!) do design thinking.

Começando pelo começo: o que é design thinking?

O design thinking é um processo que pode ser aplicado para os mais variados objetivos. Seja para o desenvolvimento de produtos e serviços, para melhorar a experiência do cliente, estabelecer cultura e revisar processos internos, e até para inovar em negócios tradicionais. O design thinking parte de uma abordagem criativa e empática para resolver problemas, colocando as necessidades das pessoas no centro do processo.

As características do design thinking são: foco no ser humano, atuação de equipes multidisciplinares, criação de versões simples e rápidas da solução para permitir testes e aprendizagem. E também vale mencionar o pensamento visual, já que post-its, mapas mentais e cartazes são muito usados para visualizar os problemas e as soluções durante o processo (mas não são um pré-requisito!).

A queda do design thinking

Nos anos 2000, o design thinking virou febre principalmente por conta da Apple. Empresas que queriam ter a mesma capacidade de visão de negócios da gigante da tecnologia buscaram adotar abordagens centradas no design e no chamado design thinking.

Mais recentemente, a Fast Company analisou 176 mil vagas em design para o relatório anual Where the Design Jobs Are, e o que os pesquisadores identificaram é que houve uma queda significativa do uso da palavra design thinking em relação ao ano anterior, sendo 9,1% nas vagas de design de experiência do usuário, 17,6% em design de produto e uma impressionante redução de 57,2% das vagas de design gráfico. Essa queda pode se dar por vários fatores, desde críticas à efetividade da metodologia para gerar inovação ou mesmo uma confusão no uso dos termos (design thinking e o próprio design).

Isso é design thinking?

Mesmo com a queda do uso do termo design thinking nos processos seletivos, muitos princípios do design thinking vêm sendo sido incorporados aos sistemas de gestão atuais, a ponto de não é mais necessário dar o nome aos bois. A seguir, listei alguns exemplos disso.

  • Adobe

A Adobe é uma das empresas que inclui o design thinking como habilidade importante para sua equipe. Segundo a empresa, a metodologia é parte fundamental para saber como seus clientes enfrentam desafios, especialmente quando o assunto é inteligência artificial. Por isso, buscam desenvolver produtos focados em pessoas, com base na resolução de problemas centrada no usuário, iteração rápida e colaboração entre áreas.

  • SharkNinja

A SharkNinja, uma empresa global de design e tecnologia de produtos, ainda menciona o termo em seus processos seletivos. Para a empresa, o design thinking é essencial na hora de contratar, pois todo produto nasce a partir de um problema real do consumidor, que a empresa resolve combinando design + engenharia.

  • Mattel

As características do pensamento de designer, para a Mattel, são fundamentais em seu modelo de negócio. Segundo a empresa, o consumidor está no centro de tudo que é desenvolvido ali. Empatia, iteração e assumir riscos de forma inteligente, habilidades importantes para o design thinking, já fazem parte de seus processos.

  • Visa

Na Visa, o termo não é mais usado como uma competência necessária nos processos seletivos, mas segundo o diretor global de design, Robb Nielsen, o design centrado no ser humano ainda continua sendo um pilar, mas agora faz parte de um conjunto mais completo de ferramentas. Para ele, também é preciso ter habilidades como estratégia de produto e pensamento sistêmico, por exemplo.

O que podemos aprender com o design thinking?

O termo design thinking pode até ter se tornado cringe, mas seus princípios e características devem continuar presentes nas empresas. O trabalho criativo de qualidade precisa continuar existindo, tendo o cliente no centro. Da mesma forma, a capacidade de empatizar e idear também permanece sendo fundamental para que a inovação aconteça. E nesse sentido, importa menos o nome que damos para o método.

Na Nexa trazemos o foco no consumidor não apenas nas metodologias inspiradas pelo design thinking, mas também em nossos projetos que envolvem escuta ativa, pesquisas aprofundadas, e na gestão bem-feita de projetos e processos, Em tudo o que fazemos, especialmente nos processos de cocriação, há um pouco de inspiração do design thinking.

Nossa metodologia própria de trabalho é dividida em quatro etapas, que nos ajudam a mergulhar no universo de cada empresa, entender seu contexto, problemas e oportunidades, para a partir disso desenvolver soluções e protótipos que vão ser testados e ajustados com base em experimentos reais e clientes reais.

Não importa qual será a próxima “modinha” no mundo corporativo: a verdade é que cada uma delas é capaz de nos deixar aprendizados e atualizar nosso jeito de trabalhar.

Uma dica? Preocupe-se menos com o “nome” e mais com os resultados que seus meios de trabalho poderão trazer para clientes e empresas. Até a próxima! 😉

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